Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007
Biografia de Sophia

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto em 6 de Novembro de 1919 e faleceu em Lisboa a 2 de Julho de 2004.

O seu pai, João Henrique Andresen, era neto de Jan Henrik Andresen, um dinamarquês, oriundo da ilha de Ovenum, nas Frísias Orientais, que se fixou no Porto e aí fez fortuna. A sua mãe, Maria Amélia de Mello Breyner, pertencia a uma família aristocrática com fortes tradições liberais; entre os seus antepassados, conta-se Pedro de Mello Breyner, que deu nome à Rua do Breiner, no Porto.

A infância e adolescência de Sophia são marcadas por dois ambientes e lugares particulares, que retém para sempre na memória e que povoam a sua obra: a Quinta do Campo Alegre, no Porto, adquirida pelo seu avô paterno no final do século XIX, e a praia da Granja, onde os seus pais arrendavam todos os verões uma casa construída à beira das dunas, a “Casa Branca” dos seus versos.

Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Aprofundou, assim, o seu conhecimento sobre a civilização grega, que muito admirava e que foi tema recorrente na sua obra.

Desde muito cedo começou a escrever poemas. Publicou o seu primeiro livro, “Poesia”, em 1944 -  edição de autor com trezentos exemplares (cem dos quais para oferecer) financiada pelo pai.

Casou em 1946 com Francisco Sousa Tavares, fixando-se definitivamente em Lisboa. Teve cinco filhos, com idades próximas. Para eles escreveu alguns dos mais belos contos da literatura infantil portuguesa - A Menina do Mar, A Fada Oriana, A Noite de Natal, O Cavaleiro da Dinamarca, O Rapaz de Bronze, A Floresta – os quais contam dezenas de edições ("O Cavaleiro da Dinamarca", de 1964, vai na 54ª edição, de 2001).

Fez parte da geração de Cadernos de Poesia (1940-1942) e colaborou na Távola Redonda (1950-1954) e na Árvore (1951-1953). Foi contemporânea de Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neil, Ruy Cinatti e António Ramos Rosa, entre outros.

Sophia não se alheou da realidade do seu tempo e interveio na vida cívica e política do nosso país. Antes do 25 de Abril de 1974, envolveu-se na crítica e luta contra o regime salazarista. Após o 25 de Abril, é dela o slogan da manifestação de Lisboa, no 1º de Maio de 1974: “A poesia está na rua”; foi deputada pelo PS à Assembleia Constituinte, onde afirma num discurso de 2 de Setembro de 1975 que: "A cultura não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar - para que o homem possa construir e construir-se em consciência, em verdade e liberdade e em justiça".

A vasta obra que nos deixou abarca os domínios da poesia, da ficção, do conto para crianças, do ensaio e do teatro. Foi ainda tradutora para português de textos de Euripedes, Shakespeare, Claudel e Dante e traduziu para francês poemas de Camões, Cesário Verde, Mário Sá-Carneiro e Fernando Pessoa.

Viu a sua obra ser reconhecida e distinguida, recebendo vários galardões, tanto no país como no exterior, entre os quais Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (1964), Prémio Teixeira de Pascoaes (1977), Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1984), Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1994), Placa de Honra do Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos (1995), Prémio Camões (1999), Prémio de Poesia Max Jacob (2001) e Prémio Rainha Sofia da Poesia Ibero-Americana (2003).

Alguns dos seus livros foram traduzidos para chinês, dinamarquês, francês, italiano e neerlandês. 

 

Nas palavras de José Carlos de Vasconcelos (Visão, 8 de Julho de 2004): 

“ Sophia foi, Sophia é, diga-se deste modo directo, a maior poeta da nossa literatura: poeta da essência e da transparência, da claridade e da liberdade, da evidência e do mistério das coisas, da verdade, da beleza e do sentido da justiça como aspirações absolutas, mas sempre profundamente ligadas às pessoas (à “gente que tem/ o rosto desenhado/por paciência e fome”), à pátria, ao mundo; à substância do tempo e ao nosso tempo concreto. Cidadã interveniente, para quem a poesia era também uma ética, Sophia fica ainda como uma exemplar figura humanista e cívica.”

 

Fontes:  

-       SPA autores, acedido em 16/02/2007: http://www.spautores.pt/revista.aspx?idContent=107&idCat=104

-       Fernando Assis Pacheco, “Sophia, a Vida a Limpo”, revista Visão, 23 de Fevereiro de 1995, em: http://files.sapo.pt/turma/Sophia_Mello_Breyner_A_Vida_a_Limpo_23Fev1995.pdf, acedido em 25/02/2007.

-       Ana Margarida Carvalho, “Sophia, A Fada Azul”, revista Visão, 8 de Julho de 2004,  em: http://files.sapo.pt/turma/Sophia_de_Mello_Breyner_A_Fada_Azul_8Jul04.pdf, acedido em 25/02/2007.

-       Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, acedido em 1/03/2007: http://www.iplb.pt/pls/diplb/!get_page?pageid=402&tpcontent=FA&idaut=1695967&idobra=&format=NP405&lang=PT

-       Instituto Camões – acedido em 1/03/2007:

    http://www.instituto-camoes.pt/cvc/figuras/smellobreyner.html

 

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
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